Domingo, 21 de Outubro de 2007

"Assaltei um castelo misterioso sem sair da esplanada"

Estes últimos dias têm sido assim qualquer coisa de fantásticos! Sol, aquele calorzinho bom nada exagerado e uma ou outra nuvem fofa a rasgar o céu brilhante. São estes dias que nos puxam para a rua sem qualquer resmunguice ou esforço. O bom dia do Sol acende um sorriso automático que nos faz cócegas na barriga, enquanto o cérebro nos faz saltar da cama num pulo enérgico para retribuir todo o brilho daquele "bom dia".

Apetecia-me ter ido à praia, ter corrido na areia, ter sentido as ondas frescas a provocarem arrepios a cada toque nos dedos dos pés... Fiquei mesmo pelo apetecer, porque as minhas alergias obrigam-me a levar por uns dias, ou semanas, ou tempo indefinido, uma linda vida de freira, ou (e até gosto mais) de princesa presa na torre mais alta do castelo  (só que na minha história não há príncipe que me valha, nem tranças compridas que servem de escadas, nem herói, nem heroína nenhuma, apenas uns dias de retiro social, que é equivalente a grande aborrecimento).

Quando me torno prisioneira desta condição oferecida pela herança genética, lembro-me sempre da campanha de Verão da Bertrand. Chega por email e guardei esta em particular porque gostei da forma como mostravam como sonhar, voar, passear, viajar, ser este ou aquele, estar aqui ou ali, ser humano ou animal, ter escamas ou penas, ser tudo e nada ao mesmo tempo é fácil quando se é invadido pelo mundo das palavras.

"Assaltei um castelo misterioso sem sair da esplanada", era uma das frases que mostrava como um livro nos traz o longe sem sairmos do que chamamos real.

Eu nestes últimos dias passeei pelo campo, corri na areia molhada, senti as ondas a fugirem entre os dedos dos pés, andei de balão, dei cambalhotas, comi chocolates até cair para o lado, vi o pôr-do-sol de um monte muito alto; simplesmente deixei o pensamento viajar por todas as estradas que me fazem soltar sorrisos tímidos, gargalhadas tolas e voar, voar muito além dos sítios onde os pés (re)pisam todos os dias.

Palavras. Muitas cores. Pontos de fuga. Arco-íris para me guiarem. Balões para me fazerem voar. O F. para me deslumbrar. Nuvens fofas para me deitar. Casas de chocolate para provar.

Sorrisos. Sorrisos. Sorrisos. Sorrisos. Sorrisos. Sorrisos. Sorrisos. O infinito em sorrisos para me aconchegar.

estou: sonhadora e sorridente
música: a resmunguice da sasha e do lamas
por InConsciente às 19:25
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